sábado, 12 de fevereiro de 2011

La Biologie de l'amour

     A biologia do amor

   (extraído de http://www.lifesnaturalsolutions.com.au/documents/biology-of-love.pdf)

  
     Parece até óbvio dizer que somos seres humanos dependentes do amor, não obstante vivamos em mundo constantemente ameaçado pela guerra, pelo ódio, pela vingança. Mas coloca-se a pergunta: será que o amor e a agressão são características polares de nossa biologia, ou, antes, de nossa existência humana cultural? Nós somos animais geneticamente agressivos que amam ocasionalmente, ou nós somos animais amáveis que cultivam a agressão culturalmente? Para a biologia do amor, nós somos animais amáveis que cultivam a agressão em uma alienação cultural que pode eventualmente mudar nossa biologia. Para sustentarmos essa posição, precisaremos percorrer os seguintes temas de modo sucinto:


  1. A constituição sistêmica e a conservação da identidade humana;
  2. A origem e o desenvolvimento do self nas relações mãe/filho;
  3. A origem evolucionária da humanidade na conservação da neotenia (retenção de características juvenis em animais adultos sexualmente maduros) e a expansão da sexualidade feminina;
  4. A biologia do amor
     Com relação a (1), dizer que somos um sistema vivo significa que somos estruturas de sistemas determinados e, uma vez que a estrutura de um sistema vivo não é fixa, mas muda conforme sua própria dinâmica interna e segundo o curso das mudanças estruturais a ela ligadas por suas interações recorrentes com o meio, podemos afirma que, de um modo geral, tudo o que aconteceu em nós, em nossa história individual de vida, e tudo o que tem acontecido na história que deu origem a nós, necessariamente tem ocorrido e deve ter ocorrido por meio de nossa operação como estrutura de sistemas determinados.

     O que torna possível a identificação das espécies (classes) de identidade de um sistema vivo é a sua constituição genética, isto é, como a fundação de um campo de possíveis cursos no desenvolvimento epigenético, mas isso não determina o que de fato acontece em sua história individual. Isso ocorre assim: A identidade da espécie (classe) de um sistema vivo é definida pela conservação reprodutiva de seu modo de vida, e uma espécie dura enquanto o modo de vida que ela define é conservado de geração em geração na constituição da linhagem. Neste processo evolucionário, os sistemas vivos e o meio mudam conjuntamente em um modo sistêmico, seguindo a trajetória de interações recorrentes em que sua congruência estrutural dinâmica recíproca (adaptação) é conservada. O resultado é que um sistema vivo de um tipo particular vive enquanto sua vida contribui para criar as condições em que seu modo particular de viver é percebido e conservado, ou ele morre como um sistema vivo ou a maneira de viver que o define, deixa de ser conservado e um novo tipo de sistema vivo surge.

     Em outras palavras, o modo particular de vida de um sistema vivo não é determinado em um modo hereditário através de sua constituição genética, nem tampouco é conservado geneticamente de geração em geração na constituição da linhagem. O modo de vida de um sistema vivo é compreendido sistemicamente em um fluxo estrutural ontogênico (epigênese), e é conservado sistemicamente geração após geração em um fluxo estrutural filogênico (epigênese filogênica). Isto é, a constituição genética total de um organismo (a estrutura nuclear e citoplasmática das células primárias), constitui o fundamento para a sua epigênese ontogênica e filogênica. De fato, o modo que um organismo vive sua vida individual surge na  interação do organismo com o meio, e não como uma expressão de alguma determinação genética; isto é, ele surge, de novo, em cada vida individual pelo encontro de dois sistemas dinamicamente independentes, o organismo e o meio. Nestas circunstâncias, o fenótipo como a compreensão individual de um organismo não é uma expressão parcial do genótipo, como frequentemente se diz, mas é algo que surge de uma forma nova, até mesmo quando a repete como a estrutura primária do organismo e sua história individual de interações surgidas do acaso tornam-se repetidas em uma sucessão de gerações. Isto se aplica à nossa identidade como seres humanos, bem como às nossas identidades individuais como tipos especiais de pessoas que somos.
     Como seres humanos nós existimos em um espaço interacional multidimensional e relacional em que grande parte das dimensões ficam fora da nossa consciência. Então nós existimos em um espaço interacional e relacional parcialmente consciente e parcialmente inconsciente no qual a maioria das dimensões são inconscientes. Nós (os autores) chamamos este espaço interacional e relacional consciente e inconsciente de domínio psíquico de existência. Tudo aquilo que acontece em nós por meio de nossa operação em nosso domínio psíquico de existência, ou melhor, em nossa existência psíquica, e assim que nós mudamos no curso de nossa vida, nosso domínio psíquico de existência muda. A identidade psíquica que um ser humano tem na medida em que ele ou ela vive na dinâmica sistêmica em que ele ou ela conserva seu ou sua identidade particular como tal, surge no espaço relacional em que ele ou ela vive como si próprio (a). Vamos agora entrar no campo da linguagem. A linguagem é um modo de viver junto em coordenações consensuais recursivas de coordenações consensuais de comportamentos, e deve ter surgido nas coordenações espontâneas de comportamento que ocorre quando de vive junto. Quando algumas relações dentro de um sistema, ou algumas configurações de relações entre sistemas são conservados em um sistema ou em um conjunto de sistema se interagindo, tudo o mais torna-se aberto a uma mudança sistêmica em torno do que é conservado na história do sistema individual, ou na história dos sistemas se interagindo.
     Então, a partir do momento em que se começou a viver com a linguagem, e particularmente com a linguagem oral, isso começou a ser conservado geração após geração no aprendizado da criança como um modo de vida, a alguns três milhões de anos atrás em algumas famílias ancestrais da linhagem dos primatas a qual nós pertencemos, então tudo o mais se tornou aberto à mudança em torno da conservação da vida na linguagem. 

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